
A noite foi maravilhosa. Ela estava comigo, ao meu lado na cama, agora dormindo. O teto do meu quarto nunca me pareceu tão convidativo, porque olhar para ele e pensar no que havia acontecido me dava liberdade.
Já devia ser quase dia. Logo amanheceria e ela sumiria da minha vida, como tantas outras. Mas, e se fosse diferente desta vez?
Ela, com seus cabelos negros e olhos castanhos, poderia ser minha amante eterna, minha confidente. Juntos poderíamos passear por parques, shoppings, cinemas, teatros... Juntos poderíamos formar uma família, cuidar de nossos filhos e envelhecer JUNTOS. Juntos poderíamos muitas coisas que agora não podemos. Quanta frescura minha, não?
Sou uma pessoa que apóia o sexo no primeiro encontro, afinal estava ali, com ela, exausto e feliz. Nos conhecemos na balada das noites de sexta/madrugada de sábado que rola na zona sul da cidade. Trocamos olhares e quando percebemos, estávamos conversando. Convidei-a para tomar um whisky em minha casa, não muito longe dali.
Ela aceitou. Chegamos e a bebida virou esquecimento porque a atração era maior do que tudo. Posso dizer que foi um sexo maravilhoso. Inesquecível como se fôssemos amantes de longa data.
Ainda olhando para o teto, imaginei-a acordando e tratando-me como marido. Eu levando o café na cama, afinal sou um homem romântico. Romântico? Será?
Levantei-me, lavei o rosto e sorri olhando o espelho. Poderia ligar para o Marcelo, contar da gostosa que peguei essa noite, mas com essa não conseguia fazê-lo. Talvez ela fosse diferente das outras mulheres.
Corri até a cozinha. O que poderia preparar de café da manhã? Sou um péssimo cozinheiro e, para não traumatizar a mulher no primeiro encontro, preferi ir até a padaria comprar alguns pães e doces. Mulher gosta de doce após uma noite maravilhosa comigo.
Na rua, a caminho da padaria que fica a uma quadra de distância, percebi o dia amanhecendo e a cidade acordando. Era manhã de sábado, mas havia gente andando pelas ruas. Comprei tudo que precisei na padaria e corri para casa, ela poderia acordar e não me ver.
Quando abri o portão de casa ela estava no jardim, olhando as rosas que cultivo com tanto cuidado. Estava semi-nua, só com uma camiseta minha. Olhou-me, o sol refletindo em seus olhos, e disse que também cultivava rosas. Fiquei maravilhado! Além de transar bem, ainda cultivava rosas? Só faltava não saber cozinhar e sonhar com uma família.
Beijei-a levemente na testa e entramos, rindo de nosso hobbie em comum. Durante o café conversamos sobre nós. Ela, jornalista, blogueira e aventureira. Eu, advogado, escritor anônimo e observador. O amanhecer era personagem principal durante nossa refeição, nossa troca de olhares, nosso interesse mútuo. A luz do sol invadia a cozinha, deixando um brilho intenso e angelical.
Perguntei seu nome. Mariana. O meu é Luís, prazer. Demos algumas risadas. Pelo menos dessa vez eu sabia o nome da fulana.
Pensei em perguntar se ela pensava em ter um relacionamento sério com alguém, de preferência comigo, mas não tive coragem. Aquilo era só sexo mesmo, porque eu ficava viajando em histórias amorosas? Ao contrário de me comportar como o cara romântico, perguntei o que tinha achado do sexo. Ela olhou nos meus olhos, inclinou-se em minha direção e riu. Não precisou dizer mais nada. Havia gostado. Como não gostar de mim, um cara sarado e bom de cama?
Tomamos banho juntos. Perguntei o que ela faria durante o dia e nenhuma resposta me foi dada. Só houve um sussuro da frase "Carpe Diem" e transamos novamente. Sempre é melhor ficar calado nestas horas.
Depois de transar mais uma vez, ela se vestiu, anotou o telefone em um pedaço de papel e foi embora. Já havia amanhecido há muito tempo.
Dizem que a aurora é um renovar, onde tudo recomeça, com uma chance de mudanças. Desta vez terminou diferente, pois tinha além do nome, o telefone dela. Poderia ligar, marcaríamos um novo encontro, seríamos felizes para sempre. Mas, talvez fosse uma furada. Não sou um homem de relacionamentos duradouros. Quero sexo e pronto!
Sei que o telefone não existia, talvez o nome fosse falso, o hobbie por flores e também, talvez nem fosse jornalista. Não foi dessa vez que o amanhecer trouxe novidades. Mariana era mais uma cachorra em minha vida, mais uma mulher, mais uma noite de sexo...










