sábado, 14 de novembro de 2009

Amanhecer

A noite foi maravilhosa. Ela estava comigo, ao meu lado na cama, agora dormindo. O teto do meu quarto nunca me pareceu tão convidativo, porque olhar para ele e pensar no que havia acontecido me dava liberdade.

Já devia ser quase dia. Logo amanheceria e ela sumiria da minha vida, como tantas outras. Mas, e se fosse diferente desta vez?

Ela, com seus cabelos negros e olhos castanhos, poderia ser minha amante eterna, minha confidente. Juntos poderíamos passear por parques, shoppings, cinemas, teatros... Juntos poderíamos formar uma família, cuidar de nossos filhos e envelhecer JUNTOS. Juntos poderíamos muitas coisas que agora não podemos. Quanta frescura minha, não?

Sou uma pessoa que apóia o sexo no primeiro encontro, afinal estava ali, com ela, exausto e feliz. Nos conhecemos na balada das noites de sexta/madrugada de sábado que rola na zona sul da cidade. Trocamos olhares e quando percebemos, estávamos conversando. Convidei-a para tomar um whisky em minha casa, não muito longe dali.

Ela aceitou. Chegamos e a bebida virou esquecimento porque a atração era maior do que tudo. Posso dizer que foi um sexo maravilhoso. Inesquecível como se fôssemos amantes de longa data.

Ainda olhando para o teto, imaginei-a acordando e tratando-me como marido. Eu levando o café na cama, afinal sou um homem romântico. Romântico? Será?

Levantei-me, lavei o rosto e sorri olhando o espelho. Poderia ligar para o Marcelo, contar da gostosa que peguei essa noite, mas com essa não conseguia fazê-lo. Talvez ela fosse diferente das outras mulheres.

Corri até a cozinha. O que poderia preparar de café da manhã? Sou um péssimo cozinheiro e, para não traumatizar a mulher no primeiro encontro, preferi ir até a padaria comprar alguns pães e doces. Mulher gosta de doce após uma noite maravilhosa comigo.

Na rua, a caminho da padaria que fica a uma quadra de distância, percebi o dia amanhecendo e a cidade acordando. Era manhã de sábado, mas havia gente andando pelas ruas. Comprei tudo que precisei na padaria e corri para casa, ela poderia acordar e não me ver.

Quando abri o portão de casa ela estava no jardim, olhando as rosas que cultivo com tanto cuidado. Estava semi-nua, só com uma camiseta minha. Olhou-me, o sol refletindo em seus olhos, e disse que também cultivava rosas. Fiquei maravilhado! Além de transar bem, ainda cultivava rosas? Só faltava não saber cozinhar e sonhar com uma família.

Beijei-a levemente na testa e entramos, rindo de nosso hobbie em comum. Durante o café conversamos sobre nós. Ela, jornalista, blogueira e aventureira. Eu, advogado, escritor anônimo e observador. O amanhecer era personagem principal durante nossa refeição, nossa troca de olhares, nosso interesse mútuo. A luz do sol invadia a cozinha, deixando um brilho intenso e angelical.

Perguntei seu nome. Mariana. O meu é Luís, prazer. Demos algumas risadas. Pelo menos dessa vez eu sabia o nome da fulana.

Pensei em perguntar se ela pensava em ter um relacionamento sério com alguém, de preferência comigo, mas não tive coragem. Aquilo era só sexo mesmo, porque eu ficava viajando em histórias amorosas? Ao contrário de me comportar como o cara romântico, perguntei o que tinha achado do sexo. Ela olhou nos meus olhos, inclinou-se em minha direção e riu. Não precisou dizer mais nada. Havia gostado. Como não gostar de mim, um cara sarado e bom de cama?

Tomamos banho juntos. Perguntei o que ela faria durante o dia e nenhuma resposta me foi dada. Só houve um sussuro da frase "Carpe Diem" e transamos novamente. Sempre é melhor ficar calado nestas horas.

Depois de transar mais uma vez, ela se vestiu, anotou o telefone em um pedaço de papel e foi embora. Já havia amanhecido há muito tempo.

Dizem que a aurora é um renovar, onde tudo recomeça, com uma chance de mudanças. Desta vez terminou diferente, pois tinha além do nome, o telefone dela. Poderia ligar, marcaríamos um novo encontro, seríamos felizes para sempre. Mas, talvez fosse uma furada. Não sou um homem de relacionamentos duradouros. Quero sexo e pronto!

Sei que o telefone não existia, talvez o nome fosse falso, o hobbie por flores e também, talvez nem fosse jornalista. Não foi dessa vez que o amanhecer trouxe novidades. Mariana era mais uma cachorra em minha vida, mais uma mulher, mais uma noite de sexo...



sábado, 3 de outubro de 2009

Wake Me Up When September Ends

Setembro foi angustiante, equilibrado, duvidoso.


Recebi minha resposta: "Não é nada mais do que amizade." Nada de namoro. Nada de amor. Somente amizade.


E eu continuo a amar. Sozinho. Angustiado e com vontade de seguir...


Continuarei a ser amigo, sim, claro.


Finalmente setembro acabou. Acordei... Como essa tal de realidade é dura, hem?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

... hum ...

Hoje eu quero postar como Isaque, não como o "Isaque" maquiado por personagens, mas o Isaque autor, aquele por trás de todas as palavras e atitudes dos personagens, todavia justamente hoje não tenho o que dizer.

Quem sabe devo falar sobre o que sinto, ou sobre meus últimos dias. Não. Seria chato.
Só quero dizer que este mês será fantástico e angustiante ao mesmo tempo. Fantástico pois marca meus 18 anos e o retorno de minhas séries preferidas. Angustiante por precisar esperar uma resposta, uma resposta que acredito já saber. Decidi não me martirizar com a possível resposta e, talvez, assim eu consiga passar o melhor mês do ano, da melhor forma possível. Não é mesmo?
Vou parando por aqui para não falar demais... rsrs.
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Algumas coisas irão mudar no QUARTO, serão mudanças na produção do conteúdo e por enquanto não defini quais, mas esperem e logo estarão aqui.
Abraço.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nonsense

Eu, meu notebook e minha xícara de café ao lado, que na verdade está cheia de refrigerante de laranja, estamos concentrados diante da página em branco do documento Word, esperando que palavras se formem e façam sentido.

Na verdade elas não se formarão do nada, do pensamento ou de uma ordem mágica minha, mas sairão do profundo calabouço neural, do mundo das ideias presas em meu subconsciente que se projetarão em bits e que poderei compartilhar com outras pessoas.
Escrevo sem um rumo, sem roteiro. Gosto quando as ideias surgem naturalmente, pulantes, saltitantes e ansiosas para serem concretizadas, depois lidas e questionadas, ou criticadas.

Hoje é um dia quente, o ventilador está ligado bem próximo de mim e me faz relaxar, sentir sono. A trilha sonora de "The Lord Of The Rings" me inspira, me instiga.

Eu quero escrever um texto belo, épico, mas me conformo com a simplicidade (ou dessimplicidade) deste.

Meu refrigerante acabou, minha xícara amarela está vazia e eu estou escrevendo ainda. Agora eu quero me entregar ao mundo abstrato dos sonhos, meu corpo pede isso, o cansaço pede.

E aqui vai terminando mais um texto aleatório e nonsense escrito por mim. Pelo menos a página que estava branca agora está recheada de pontinhos pretos, em ordem, organizados.

Vou dormir, meu notebook irá descansar de mais um dia ligado e minha xícara de café amarela irá direto para a pia, enquanto meu amontoado de bits será publicado no blog.

fui.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A estante de livros [EDITADO]

Ele começou a caminhar pela rua deserta. Estava perdido, nervoso, desesperado e sem rumo.O que poderia fazer com todos os seus pensamentos aterrorizantes? Como suportaria viver tanto tempo sufocando a raiva, os desejos e tudo o que pudesse machucar as pessoas?


Qual o motivo dele pensar tanto nas pessoas?

Talvez ele fosse um pouco dramático ou somente estivesse em mais um de seus momentos de tristeza mórbida. No fundo, queria fugir para bem longe e poder voar por entre as nuvens, sentir o frio congelante passar por seus ouvidos, fazendo-o esquecer do mundo, dos familiares, das pessoas, mas tudo não passava de imaginação, utopia.

Diversas vezes pensou em amar alguém, mas tinha certeza de que não era capaz nem mesmo de amar a si próprio. Nunca seria capaz de ser feliz com outra pessoa. Nascera para ser sozinho, sólido, frio.

Nas sombras da natureza morta escondia-se e sussurrava poemas de amor para a noite, sua mais singela e simpática companheira. A noite silenciosa e não mais solitária, já que contava com sua presença. Sentia-se dramático, constantemente dramático. Era assim e nada mais.

Lembrou-se de sua estante de livros. Parou. Sentou-se na calçada. Podia ficar horas contemplando sua bem ornamentada e cuidada estante de livros já que todos os seus tesouros estavam ali; toda sua fonte de conhecimento, diversão, paixão, sonho.

Levantou-se e parou no meio da rua escura, suspirou e deu meia-volta. Não iria fugir e deixar seus livros para trás. Precisava planejar, juntar dinheiro. O melhor a fazer era pensar e ser cuidadoso, detalhista. Pôde sentir um sorriso dentro de si e ao mesmo tempo um desânimo. Iria voltar...

Quando chegou, a casa estava fechada, escura e silenciosa. O que acontecera com seus indesejáveis familiares?

Provavelmente haviam ido mais uma vez ao cinema e esqueceram-se dele.

Ótimo, pensou. Agora poderia ouvir um Cd de Vivaldi, tomar um banho quente, trancar-se em seu mundo, contemplar a estante de livros e planejar uma fuga.
Deitado em sua cama lembrou-se da conta poupança em que guardava suas economias. Precisava encontrar um lugar para ficar. Quem iria apoiá-lo nesta aventura?

Depois que ficou mais calmo, no aconchego de seu quarto, começou a refletir sobre sua tão desejada fuga. Tudo ficaria mais difícil, precisaria de um emprego e todos os seus ideais - que estavam na estante -, onde iriam ficar? Perdê-los-iam.Pensando bem, era melhor desistir dessa loucura toda. Deixar passar o restante da mágoa de horas atrás, encostar a cabeça no travesseiro e dormir.

Quem sabe ao amanhecer tudo ficasse mais claro e mais calmo.

Lá fora a lua brilhava poderosa, rodeada de diamantes distantes e cintilantes. As pálpebras de Ricardo pesaram quando se aconchegou e puxou a coberta. Ele estava prestes a entrar no mundo dos sonhos, onde tudo é possível. Um mundo onde estantes de livros são feitas de ouro e os livros têm vontade própria, escolhendo suas estantes. Neste mundo Ricardo sentia-se leve, livre e feliz, ainda que fosse somente por algumas horas...

O dia nascera nublado. Estava um pouco escuro quando Ricardo abriu os olhos e encarou o teto de seu quarto. Ele estava mais calmo, pensava mais lucidamente. Durante um longo tempo fixou o olhar na lâmpada apagada, perdeu-se em pensamentos, mas logo voltou ao mundo real.

Colocou os pés para fora da cama e caminhou até a porta do quarto. Antes de abri-la inspirou profundamente e continuou o trajeto até o fim do corredor, onde ficava o banheiro.

Seus pais já estavam acordados e conversavam ruidosamente na cozinha, que ficava no andar de baixo. Sua irmã provavelmente ainda estava dormindo. Era cedo.

No banheiro, mirou no espelho o seu rosto amassado, seus cabelos desgrenhados e sua inconfundível cicatriz no queixo. Sorriu para si mesmo. Não conseguia esquecer os pensamentos da noite passada, o turbilhão de sentimentos e desespero. Mais uma vez sufocaria tudo isso e continuaria a viver tranquilamente, como se nada estivesse acontecido, até que explodisse novamente... Embora fosse impossível saber quando ou como esta explosão iria acontecer.

Escovou os dentes, lavou o rosto e voltou para o quarto. Abriu as cortinas, deixando que a pequena quantidade de luz penetrasse o recinto. Olhou para a estante de livros, de madeira suntuosa e percebeu o que não tinha percebido na noite passada.

A estante era sua estrutura, o que fazia com que ele suportasse toda aquela vida medíocre e sufocante. Cada livro era um motivo que firmava seus sonhos, seus ideais, seus medos e que o ajudava a superar a dor constante. Enfim se deu conta de todo o significado da estante. Fora ela que o fizera retornar.

Reescrito dia 05/08/2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Eduarda e Mário

"Oi, quero conversar com você. Eu sei que deveria falar sobre isso pessoalmente, mas não sei quando teremos oportunidade."

"Ok."

"Quanto a nós... Vc acha q ficará complicado? Q estarei atrapalhando?"

"Não. Você me ajuda muito. Eu só não quero te machucar."

"Eu tenho q desabafar sobre oq estou sentindo. E não fiz isso com ninguém, nem mesmo com minha amiga."

"Sim, desabafa. Preciso saber."

"Bem, pode ser q eu esteja vendo algumas coisas turvas demais. Não sei muito bem como me portar qto ser namorada, é q as vezes me sinto sozinha, em muitas situações. Essa solidão anda me perseguindo. Até nos lugares e com as pessoas com quem me sentia mais confortável."

"Eu entendo esta solidão. Ter alguém e não poder estar sempre ao lado é ruim. Parece que tudo está sendo em vão."

"Eu me preocupo com vc e não posso mentir q algumas de nossas conversas me deixam um pouco angustiada, mas prefiro q seja assim. Estamos aprendendo. Quero q sempre seja sincero comigo. As vezes eu sinto q uma parte de mim está vagando em algum lugar em meu interior."

"Minha sinceridade machuca."

"Não é sempre q eu sinto as coisas como antes. É como se fosse tudo fantasmagórico, embora tenha me sentido mais forte, mas é estranho. Sim, sinceridade machuca, mas vc sabe mesmo assim oq está acontecendo. Eu te vejo distante de mim, Mário."

"Distante? De que forma?"


"Não só física, Mário. Eu não sei se é devido aos meus problemas. Eu não sei o qto estou me complicando. Sinto algumas pessoas distantes de mim. Pessoas q eu confiava e confio, mAs não retrato isso a elas e percebo q não é só coisa da minha cabeça. Pq por ter consciência de minha neurose eu espero e observo as coisas a minha volta."

"Eu estou causando muito sofrimento."

"Nós precisamos tomar uma decisão, precisava ser sincera com vc."

"Está certa. De certa forma eu me sinto culpado por tudo e precisamos decidir nossa situação."

"O que faremos do nosso namoro?"

"Eu não sei, Eduarda. Acho ótimo da sua parte desabafar, falar como se sente, independente do que isso pode gerar, mas sinto, de alguma forma, que você quer terminar o namoro. Parece que está por trás de suas palavras, implicitamente, embora possa estar errado."

"Precisamos decidir, Mário, no momento estou vinvenciando algumas complicações. Muita coisa é turva pra mim agora. Com o tempo e com minha ação isso melhora. Concordamos q não estamos vivendo algo intenso."

"É, infelizmente."

"Com o tempo iso pode melhorar tbm, ou não, não sei. Eu sei q com o tudo q estou escrevendo está parecendo mesmo o término. Eu estou confusa. Eu quero ser melhor pra vc. E sinto q não estou sendo.."


"Eu também sinto que não sou. Nunca consigo ser melhor. Estamos diante de um impasse?"

"Não diga q nunca conseguirá ser melhor. Sim, estamos diante de um impasse..."

domingo, 30 de agosto de 2009

Daniel

Acordei com o sol esquentando meu rosto. Não sabia que horas eram, nem como havia caído no sono. Só lembrei que noite passada chorei, peguei um livro para ler e adormeci na poltrona do escritório, ao lado da janela aberta. Por ela entrava uma suave brisa noturna.

Tentei lembrar o motivo do choro da noite passada e não consegui. Estava tudo límpido agora, tudo tranquilo, silencioso.

Morar sozinho tem seus benefícios e também seus prejuízos. Aquele silêncio soturno em plena manhã de domingo não me tranquilizava, não me deixava pensar claramente. Desejei unicamente sair daquele apartamento, mas quando olhei a estante de livros que estava na minha frente, lembrei de uma foto e talvez do motivo do choro da noite passada.

A foto estava dentro do meu livro favorito, Duas Águas, do Luis Augusto Fischer, e naquele pedaço de tempo congelado, eu estava abraçado a minha amada e destruidora do sentimento puro que nutri durante tanto tempo.

Uma lágrima brilhante escorreu por meu rosto, refletindo o resplendor do sol que ainda acariciava minha face. Pude lembrar de tudo que passamos juntos e não suportei mais ficar olhando aquela foto, de onde minavam lembranças tão cruéis.

Enxuguei as lágrimas na manga de meu paletó, guardei a foto dentro do livro e coloquei-o de volta na estante. Senti um impulso de rasgá-la, mas por algum motivo não quis me desfazer daquela relíquia de dor e amor. Dor atual, amor passado.

Fui até a varanda, apoiei-me na grade de proteção e acompanhei o raiar do sol, seu esplendor matinal cobrindo todas aquelas fortalezas de pedra ao alcance de minha visão. Aquele era o meu divã solitário e meu pensamento vagava por lembranças.

Estava na hora de parar de pensar nelas, isso me faria bem.

Fui até o quarto e troquei de roupa. Precisava crescer, evoluir e ser um Daniel renovado. Resolvi sair, perder-me pelo mundo e deixar que o sol continuasse a esquentar minha pele, onde quer que eu estivesse.

sábado, 29 de agosto de 2009

Uma carta

Houve um tempo em que minhas certezas eram constantes, firmes, como toda certeza deve ser: absoluta.

Por algum motivo que não sei explicar, ou talvez tenham sido muitos motivos e eu até saiba como explicá-los, mas não tenho coragem de encarar, grande parte das certezas começaram a desmoronar, não fazerem mais sentido.

Pode ser que em algum momento da caminhada eu tenha me dado conta do quanto frágil sou e das medidas trágicas e desnecessárias que tomei. Isso pode ter influenciado na confusão.

Agora, exatamente quando escrevo esta carta, sinto o sufoco da máscara diária que está em mim. Estou curvado com o peso de tantas coisas acumuladas, de atitudes tomadas para agradar os outros. Estou cansado de ser o filho perfeitinho, o neto responsável, o amigo ingênuo e o sobrinho vencedor.

Será que ninguém percebe a tristeza em meus olhos, os sorrisos exagerados para espantar o medo e os silêncios duradouros de quando estou preso em meu mundo?

Será que ninguém percebe minha mudança de hábitos e a constante impaciência até com as coisas mais simples?

Estou perdido, em frente a duas estradas e cada uma segue uma direção. Estou tentando imaginar o que cada uma poderá me proporcionar e o que cada uma me fará deixar para trás.

Preciso decidir, mas não quero, não agora que tudo está tranquilo, certo, confortável. É ruim quando chegamos perto de uma certeza e temos medo de tomar a decisão necessária?

Preciso acordar, me despir de todos os sufocos e dores desnecessárias. Quem sabe assim eu consiga ser feliz, consiga ficar leve e reencontrar minhas certezas ou criar novas.

Então fico na esperança de que aquele tempo de certezas retornem e eu possa, quem sabe, ser quem realmente sou, sem medos e repressões.

Espero que entenda meu sentimento e angústia, afinal, és a única pessoa que confio. Por isso escrevo esta carta. Abraço.

Ass. Neto.

"Se Deus ama os filhos como são,
então certamente ele o amará
da forma que és.
E tu poderás, enfim, ser o que
sonhou."
O Fantasma Oculto

domingo, 23 de agosto de 2009

Críticas

Quero começar uma nova categoria deste blog, na verdade a primeira categoria organizada e pensada. É a categoria "Críticas". Nesta eu irei comentar os recentes livros que li, filmes, seriados e tudo o que envolver cultura acessível.

Para começar, vou falar do livro da Lya Luft, O SILÊNCIO DOS AMANTES.

É um livro de contos relacionados ao silêncio, diversos tipos de silêncio. São 20 contos bem escritos, que emocionam, fascinam, enojam, silenciam e deixam o leitor em um estado de torpor sem igual, levando-o a mundos distintos, do fantástico ao ordinário.

Vale ser lido, re-lido e comentado.

Outro livro fascinante é Duas Águas, do Luis Augusto Fischer, mas este deixarei para a próxima postagem porque não terminei de ler. rsrs

domingo, 21 de junho de 2009

Respostas?

Eu não sei se sou estranho, mas algumas vezes sinto que não consigo definir o que sou ou o que penso. Por mais que eu reflita, nunca consigo chegar em um argumento justo, simples e definitivo.

Acredito que esta incapacidade de definição sobre eu mesmo, me transforma em um incerto, um cara repleto de dúvidas. As dúvidas precisam existir para que existam as respostas, é o que sempre me digo, mas e se as dúvidas forem maiores do que as possíveis respostas?

Se elas forem maiores, talvez uma vida seja completamente insuficiente para encontrar todas as respostas necessárias, todavia não custa tentar, lutar e se machucar para encontrá-las.

Preciso arriscar mais e viver com mais intensidade os momentos que não tenho coragem de vivenciar, preciso tentar definir o que sou e o que penso.

Minha primeira atitude será pegar uma xícara bem grande, encher de café bem quente e sentar numa cadeira bem confortável para refletir bem. Quem sabe assim eu possa concluir que, sim, sou estranho e continuarei não encontrando todas as respostas.