terça-feira, 6 de março de 2012

Calor e fim de semana

O calor tem sido intenso e os dias bonitos de ver, com o céu azul limpinho, o nascer e pôr-do-sol impecáveis. Um primor de verão, repleto de novidades, obstáculos e surpresas. Começar o ano, se é que ainda dá para dizer que estamos no início, tem sido uma tarefa interessante por conta dos novos desafios que se apresentaram e as sentimentalidades doces dos fins de semana.

Sexta, sábado e domingo são dias agradáveis na rotina paulistana se você sabe como se divertir. Coloque de lado as filas gigantescas nos cinemas, os museus lotados, as baladas abarrotadas e a longa espera dos restaurantes mais badalados e tudo estará certo. Fim de semana sem feriado em São Paulo é fim de semana com engarrafamento e transtornos, não tem jeito. É aquela situação sem saída: ou fico em casa entediado ou enfrento os lugares lotados para o mínimo/máximo de distração na metrópole barulhenta. É um namoro de altos e baixos com a cidade que só me fascina, apesar do calor recente.

Nesses dias de folga aproveito para ir à feira no domingo pela manhã, distrair dos problemas que precisam ser resolvidos ao longo da semana ao ouvir a gritaria obstinada dos feirantes vendendo seus peixes, frutas, legumes, etc. Faz parte da vida cotidiana e enquanto esta passa, me entrego ao açúcar do caldo de cana e à ideia abortada de comer um pastel de carne. Cheira bem! Assim como cheira bem aquele risoto de camarão com abobrinha que tanto gosto. 

E fico me divertindo com as simplicidades e o céu límpido enquanto as águas de março não encerram o verão. 




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Confusões de Verão

Gostaria de ter sentimentalidades poéticas para escrever sobre minhas férias de verão. Em verdade, transbordo de momentos poéticos vividos com pessoas amadas. Ainda assim, aquela sede de transpor e me expor por aqui já passou. Me aprisiono ao sentimento de escrever em papel, refletir a respeito e depois amassá-lo. Depois, as opções de descarte são inúmeras: vaso sanitário, lixeirinho do banheiro, mar aberto... Decido satisfazer meu ego ao amassar e jogar na mochila para depois pensar uma eternidade antes de abrir e reler as ideias jogadas nesses momentos de intensidade sentimental. 

Dá para resumir como um verão único. Um verão de poesia no olhar, nos sabores, no crepúsculo, nas fotos e até mesmo nas saudades de quem ficou na selva de pedra e não está com você no paraíso. Um misto de contradição e conhecimentos que só o ócio do verão pode oferecer. E ainda tem o carnaval...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Mudar o mundo?

Mais um dia de chuva intensa e contínua em São Paulo, complementado com a vontade mínima de sair da cama e as ideias fervilhando na cabeça. Quero escrever um livro, quero fazer um documentário, quero mudar o mundo. E como posso mudar o mundo? Com ideias, talvez. Uma colher de sopa de coragem, duas xícaras de determinação, uma pitada de carisma e uma cereja, cheia de surpresas. Não! Não quero mudar o mundo. Quero um doce, preferencialmente com rum, para ficar olhando a chuva e sorrir sem motivos. E deixar de lado essa ideia maluca de mudar o mundo...

Olhos Dourados


A luz do dia invade o quarto através das grandes janelas. A persiana está aberta. As luzes natalinas ainda piscam do lado de fora, saltitantes e incansáveis. As palmeiras, que sustentam as cordas de luzes, reinam imponentes e suaves, balançando com o vento e anunciando um novo dia. Acordo com a luz que incomoda meus olhos. Permaneço abraçada a ele, que ainda dorme. Perdida em pensamentos, continuo  silenciosa, acompanhando o compasso da minha respiração. Estou nua. Ele também. Aos poucos relembro a noite passada, o amor, o suor, os suspiros, as mordidas e a exaustão. Assim dormimos: nos braços um do outro, envolvidos no presente. A pequena Torre Eiffel de vidro que decora o ambiente, com uma base giratória irradiante de luzes, ainda está acesa. Não me importo com o horário. Ele continua a dormir. Admiro a paisagem além da janela. Prédios com um céu azul e límpido ao fundo. Silêncio. Ele ameaça acordar ao perceber meus notáveis movimentos. Um movimento de olhos e percebo que está direcionado para mim, acostumando as pupilas à claridade. Ele sorri. Abraça-me. Beija-me com o mau-hálito comum das manhãs. Retribuo o carinho, transportando minha mente para lugares inexplorados e felizes. Aqueles lugares onde nada mais importa além do momento presente, o carinho, o cafuné, o olhar dourado provocado pelo sol matinal. Aos poucos acordamos, tomamos a coragem necessária para sair da cama e escovar os dentes, lavar o rosto, desanuviar a mente do sono ainda latente. Faço um café, desastrada e derramando pó sobre a pia. Um pedaço de bolo de laranja, uma fatia de pão com requeijão, um copo de iogurte e uma xícara pequenina de café despertar. Não temos mesa na cozinha, muito menos no espaço pequeno que chamamos de sala. Nessas horas, comemos em pé ao lado da pia ou em almofadas, perto da sacada do quarto. A paisagem da cidade nos inspira. Rimos de nossa simplicidade, felicidade. Não somos perfeitos. Pelo contrário, somos cheios de imperfeições que aprendemos a suportar um no outro. É o que acontece quando dois mundos diferentes se encontram, se unem e resolvem levar uma vida conjunta. Namorados, amantes, ficantes. As nomenclaturas não importam. O presente importa. Aquele olhar dourado me diz muito mais do que um título verbal. Confio no que posso sentir. Confio no que ele me transmite através de seu corpo, sempre com a temperatura mais elevada que o meu e pronto para esquentar minhas noites frias. Sinto frio com facilidade. Ainda estamos nús. Pretendemos ver um filme, apesar do dia convidativo de clima quente, úmido e agradável. Lembro de uma poesia, mas esqueço-a completamente um minuto depois. As risadas são sinceras. Ele levanta e pega um cigarro. Vê-lo fumar é um prazer. Detesto a fumaça e o cheiro, mas a sensibilidade com que ele executa cada tragada é de encher os olhos com poesia. É suave, sem pressa, aproveitando cada segundo daquele prazer destrutivo e calmante. A fumaça sai por seus lábios e narinas suavemente, sorrateira e livre, também sem pressa alguma. O tempo parece parar. O tempo tem se comportado dessa forma desde que nos conhecemos. Ele achou que nos conheceríamos da forma tradicional: parques, cafés, restaurantes, cinemas e outros lugares públicos. Entretanto, nos envolvemos de uma forma que não consigo definir ou descrever a intensidade e profundidade. Foi espontâneo, apesar de tudo. Tão envolvente e avassalador que provocou medo, insegurança, incerteza por toda a rapidez de sentimentos, momentos, trocas e concessões. Depois nos estabilizamos, o medo se foi. Ele me incentivou a continuar a escrever, incentivou a reunir todos os meus contos perdidos e procurar uma editora. Consegui publicar meu primeiro livro e caminho para o segundo, um misto de autobiografia com devaneios. Ainda não sei se publicável, mas tenho ímpeto de escrevê-lo. E chegarei ao fim. Do livro, claro. Talvez o termine durante a viagem de duas semanas que farei a trabalho. Londres. Uma inspiração e tanto para finalizar um livro de loucuras, devaneios e sinceridades. Talvez não tão sinceras, afinal tenho o poder de criar o que me vier à cabeça. É meu mundo, com minhas escolhas, minha decoração. É o egoísmo personalizado em palavras. É a arte de criar. No meu caso, um livro sem propósito maior do que ter pensamentos e momentos registrados. Cheio de aleatoriedades e sentimentos. Ou tentativas de transpor sentimentos em palavras. Enquanto vou tentando, tentando e tentando, permaneço nua, olhando a janela, com o amor ao lado e uma xícara de café vazia. Permaneço nua, mas repleta de ideias e amor. E olhos dourados.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Verão

"Finally, you and me are the lucky ones this time..."
Lucky Ones, Lana Del Rey.

Finalmente entendo o valor que as pessoas dão ao verão. O tempo livre, o calor, o sol, o descanso, as noites agradáveis para sair da toca e as viagens, claro. Simples demais para que eu não pudesse compreender. Mas dizem por aí que compreendemos melhor as coisas quando vivenciamos ou quando rola aquele estalo de entendimento. No fim, o importante é compreender.

O que me fez compreender a importância do verão foi toda essa chuva que tem caído em São Paulo. É incomum para um nordestino ter um verão inteiramente chuvoso, com temperaturas brandas e limitações provocadas por líquidos. Gosto do calor, o suor, os sucos cítricos e geladíssimos. Gosto da luminosidade, energia e espírito do típico verão ensolarado, mas é justamente o que não tenho visto. Janeiro em terras paulistanas é peculiar, posso dizer. Acostumei a passar o verão no nordeste. Eis que em 2012 resolvi inverter as coisas. Comecei o ano em terras paulistanas e só em fevereiro darei o ar da minha graça nordestina nas terras superiores e quentes. E como o que me fez pensar a respeito do verão foi a chuva, devo voltar a falar dela.

Os dias de trabalho e os fins de semana fora de casa, assim como algumas horas olhando a chuva, me fizeram lembrar que verão é quando descanso, renovo as energias, determino algumas metas e ouço bastante música. Sou capaz de lembrar os cantores e músicas que marcaram os dois últimos verões. E lembro também quais as resoluções que as músicas me trouxeram. Sou maluco por sonoridades e transformo os momentos mais chatos, silenciosos ou insignificantes em poesia. Como um videoclipe pessoal a cada música. As que se tornam preferidas são as que têm significado com o que estou vivendo, seja por uma frase ou um refrão. Não importa. Como tenho mais tempo no verão, nesta época as músicas ficam intensamente marcadas. 

Tudo isso para dizer que já escolhi a trilha sonora do meu verão 2012: Lana Del Rey e seu recém-lançado vazado álbum "Born To Die". Viciei no single 'Video Games' e esperava ansiosamente pelo álbum completo. Agora que já ouvi o trabalho completo, repetindo, repetindo e repetindo, não tenho mais dúvidas de que a voz rouca de Lana será o marco deste tempo de calor. Suas músicas são repletas de referências aos Estados Unidos da América, com um tom sombrio, sonoridade que definiria como 'interessante' e, claro, letras de sensibilidade incomparável. Entre estas letras, estrofes positivas e apaixonadas. Um clima perfeito para a chuva que cai por aqui e para o sol que faz em Sergipe.

Dessa forma, continuarei me completando com os filmes antigos, os almoços dominicais na paulista, os sábados reflexivos e divertidos, as caminhadas, os cafézinhos, os sucos, os doces, os sorvetes, as horas de ócio, as leituras, as músicas, as saudades e as promessas para os meses que estão por vir.