quinta-feira, 21 de julho de 2011

Harry Potter e Eu

21 de Julho de 2007. O mundo fervilhava com o lançamento do último livro da saga Harry Potter, finalizada exatamente dez anos depois que o primeiro volume, A Pedra Filosofal, chegou às livrarias britânicas. Aqui estou, exatos quatro anos desde que o mundo descobriu o fim da aventura no mundo bruxo onde Harry e seus amigos encantaram uma geração. Eu sou um desses que viveu durante dez anos, descobri o bruxinho em 2001, ao lado de personagens queridos, esperando os livros, os filmes, comprando revistas, acompanhando fansites, escrevendo e lendo fanfics, discutindo teorias, ouvindo podcasts, relendo os livros e fazendo amigos que compartilham a mesma sede mágica que a minha. Dez anos mágicos que merecem ser lembrados e documentados, afinal sou o que sou graças ao desejo de leitura despertado pelos livros gigantescos de J.K. Rowling que me levaram a tantos outros livros e mundos fantásticos.

Lembro do desespero dos fãs, e meu próprio, para ler os originais de Relíquias da Morte, independente do inglês capenga e do dicionário mais usado do que o próprio livro de Potter. Lembro também das traduções apressadas que surgiram na rede com o mais sincero objetivo de proporcionar a todos os fãs o direito de ler, ainda que porcamente, ao mesmo tempo em que os leitores de língua inglesa, o fim da saga a que dedicaram a vida. Justo e digno, mas comigo coisa foi diferente. Deixei-me levar pela euforia, li sete capítulos sem entender muito bem o que se passava e decidi esperar pela tradução oficial. Meu inglês era péssimo. Esperara tanto tempo e poderia esperar mais alguns meses para saborear dignamente os últimos parágrafos inéditos daquela aventura. Assim fiz, novembro chegou e terminei o livro lentamente, talvez para me despedir da maneira correta daqueles bruxos queridos. E chorei. Chorei por tudo que aprendi e por um ciclo que se fechava.

Ainda me restavam os filmes, os álbuns de figurinhas e a espera pelo espetáculo visual do cinema. O tempo passou com satisfação e aquele sentimento de fim definitivo se aproximava. Relíquias da Morte Parte 1 provocou uma euforia gigantesca para logo me derrubar. A Parte 2 estava próxima, eu precisava de algum consolo, algumas palavras ou momentos de distração para não pensar no fim eminente, o último e oitavo filme da franquia. Depois só permaneceriam memórias, sonhos, sorrisos e boas histórias a contar. No fim das contas lá estava eu sentadinho na poltrona do cinema. Sessão de pré-estréia, sala lotada de fanáticos e o aperto no peito. Começou.

Não deu para segurar a emoção, os gritos, as lágrimas. O filme foi fidelíssimo no que pode aos detalhes do livro. David Yates, diretor desde a Ordem da Fênix, fez um trabalho primoroso e delicado. Steve Kloves, roteirista dos oito filmes, nos fez revisitar elementos de toda a saga. Estavam lá os diabretes da Cornualha, a Câmara Secreta, os corredores de Hogwarts, os personagens mais caricatos e a trilha sonora composta por John Williams (só faltou a Casa dos Gritos). Entraram no jogo os elementos importantes para resolução da saga, as mortes, as brigas, os momentos de glória e o epílogo. Um filme perfeito, com um elenco perfeito e uma finalização perfeita. Como fã, gostei. Apesar da história da vida de Dumbledore ter sido deixada de lado como se não fosse importante para a saga, mas deixo passar. Snape estava lá para tomar a atenção, se consolidar como um dos melhores personagens da história e ainda arrancar lágrimas volumosas e soluços barulhentos da legião de fãs. Sai satisfeito.

E continuo satisfeito por todo o tempo investido na saga, o fim maravilhoso, os momentos cômicos, a lista memorizada de feitiços e o perfil psicológico de cada bruxo importante que existiu nos livros. Entretanto, agora compreendo que não foi um fim, mas como disse antes, um ciclo que se fechou, novamente. Os livros continuam na minha estante, os DVDs estão lá ansiosos para serem assistidos novamente. Os livros ainda contarão suas histórias, meus filhos com certeza as ouvirão por mim. E enquanto a magia existir, Harry Potter existirá no coração de cada fã que o acompanhou por anos. Obrigado, J.K. Rowling. Obrigado Lílian por todo o amor. Obrigado Harry por ter sobrevivido...

1 comentários:

Ana Caroline disse...

Eu comecei tarde, mas não me arrependo! ao menos comecei!! E vou resumir meu comentário em uma frase que li por ai: Harry Potter só vai acabar quando o último coração pottermaníaco parar de bater.