Poderia dizer que Criolo é o responsável por minha nova obsessão pelo Largo do Arouche, mas estaria completamente equivocado. Na verdade, existem motivos mais concretos para explicar meu recente carinho pelo Largo. Dentre eles, a poesia e melancolia de todas as vidas e histórias que passaram por lá desde 1822, ano da inauguração, que mesmo depois de tantas mudanças de nome e aparência, permanece para servir como cenário das mais diversas histórias. Inclusive a de Criolo e seu freguês da meia noite.
O bolero cita o Mercado das Flores e o restaurante La Casserole com uma sensibilidade inesperada e se envereda por uma trama trágica de beleza e amor. Ter o centro de São Paulo como cenário principal é a forma mais intensa que Criolo encontrou para mostrar as facetas de uma cidade com bastidores repletos de histórias negras. Retratar o centro de uma grande cidade é falar dos aspectos que suas ruas escuras imprimem nos moradores e frequentadores da região. Posso garantir que me aprisiono na impossibilidade de passar pelo local e não ter a mente invadida pelo 'Freguês da Meia Noite'. É poesia vivenciada.

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